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Fitoterapia: quando o saber das plantas encontra a ciência

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Antes dos laboratórios, antes das farmácias modernas e antes dos medicamentos em cápsulas, a humanidade já observava a natureza.

Folhas, raízes, cascas, flores, sementes e óleos eram usados em diferentes culturas como formas de cuidado, alívio e prevenção. Esse conhecimento não nasceu de uma tendência recente: ele atravessou gerações, foi transmitido por famílias, comunidades tradicionais, povos indígenas, parteiras, raizeiros e sistemas antigos de medicina.

A fitoterapia nasce desse encontro entre tradição e ciência.

Ela reconhece que as plantas medicinais fazem parte da história do cuidado humano, mas também entende que “natural” não significa automaticamente seguro. Cada planta tem composição química, indicação, dose, forma de preparo, possíveis efeitos adversos e interações com medicamentos.

Por isso, a fitoterapia responsável não é “tomar qualquer chá para qualquer coisa”. É usar o potencial terapêutico das plantas com conhecimento, critério e acompanhamento adequado.

O que é fitoterapia?

Fitoterapia é o uso terapêutico de plantas medicinais e seus derivados para apoiar a saúde e o bem-estar.

Isso pode incluir infusões, tinturas, extratos, cápsulas, pomadas, óleos, xaropes e outros preparados feitos a partir de partes específicas das plantas. A escolha depende da espécie, do objetivo, da concentração dos ativos e da forma mais adequada de uso.

Um ponto importante: planta medicinal e fitoterápico não são exatamente a mesma coisa.

Planta medicinal é a espécie vegetal usada tradicionalmente para fins terapêuticos.

Fitoterápico é um produto obtido de planta medicinal, com controle de qualidade, forma farmacêutica definida e indicação de uso.

Em linguagem simples: a planta é a origem; o fitoterápico é uma forma preparada, padronizada e regulada para uso terapêutico.

A medicina original: tradição passada de geração em geração

A relação entre humanidade e plantas é ancestral. Durante muito tempo, observar a natureza era uma das principais formas de cuidar da saúde. O conhecimento sobre quais plantas acalmavam, quais auxiliavam a digestão, quais eram usadas em feridas ou quais deveriam ser evitadas foi sendo construído pela experiência coletiva.

Esse saber tradicional tem valor cultural, histórico e terapêutico. Ele carrega a memória de povos e territórios e a ciência entra como uma aliada essencial: ela ajuda a investigar composição química, mecanismos de ação, segurança, dose, toxicidade, qualidade e eficácia. Ou seja, a fitoterapia não precisa escolher entre tradição e ciência. Quando bem praticada, ela aproxima as duas.

A ciência também vem das plantas

Muita gente imagina que existe uma separação absoluta entre “medicina natural” e “medicina de laboratório”. Na prática, essa divisão é bem mais complexa. 

Diversos medicamentos modernos foram inspirados em moléculas encontradas na natureza. A farmacologia, área que estuda como substâncias atuam no organismo, frequentemente investiga compostos presentes em plantas, fungos, microrganismos e outros produtos naturais. Isso não significa que usar uma planta inteira seja igual a tomar um medicamento isolado. São coisas diferentes.

Um remédio de laboratório pode usar um princípio ativo isolado, purificado, modificado ou sintetizado a partir de uma inspiração natural. Já uma planta medicinal contém muitos compostos ao mesmo tempo, que podem agir em conjunto, variar conforme cultivo, preparo, dose e qualidade da matéria-prima. É por isso que a fitoterapia exige cuidado profissional.

A natureza é potente. E é justamente por isso que precisa ser respeitada.

O que os estudos mostram?

As pesquisas sobre fitoterapia vêm crescendo no mundo todo. Revisões científicas investigam o uso de plantas e derivados em diferentes contextos, como sintomas digestivos, ansiedade leve, sono, climatério, inflamação, dor e suporte ao bem-estar e em alguns casos, há evidências mais consistentes. Em outros, os resultados ainda são preliminares ou variam conforme a planta, o extrato, a dose e a qualidade dos estudos.

Esse ponto é fundamental: não existe “planta medicinal para tudo”. Uma mesma planta pode ter usos diferentes, contraindicações específicas e interações importantes. Além disso, o efeito depende da parte utilizada — folha, flor, raiz, casca ou semente — e da forma de preparo. Por isso, a pergunta certa não é apenas: “qual planta devo usar?”

A pergunta mais segura é: Qual planta, para qual pessoa, em qual dose, por quanto tempo e com qual acompanhamento?

Benefícios possíveis da fitoterapia

Quando bem indicada, a fitoterapia pode apoiar diferentes dimensões do cuidado. Ela pode auxiliar em sintomas leves, complementar rotinas de autocuidado, apoiar equilíbrio digestivo, relaxamento, sono, tensão, bem-estar emocional e cuidados preventivos.

Também pode ser uma ponte importante entre saúde, cultura e natureza, especialmente em um país como o Brasil, que possui uma das maiores biodiversidades do planeta e uma riqueza imensa de saberes tradicionais. Entre os principais benefícios da fitoterapia estão:

1. Cuidado mais conectado à natureza
As plantas lembram que saúde também envolve território, alimentação, ambiente, cultura e relação com o corpo.

2. Apoio complementar ao bem-estar
Algumas plantas podem auxiliar em queixas específicas, desde que usadas com indicação correta e sem substituir tratamentos necessários.

3. Valorização do saber tradicional
A fitoterapia reconhece conhecimentos transmitidos por gerações, especialmente por comunidades que sempre observaram e cuidaram da natureza.

4. Integração com a ciência
O uso terapêutico das plantas pode ser estudado, padronizado e aplicado com mais segurança quando unido à pesquisa científica.

5. Autocuidado com responsabilidade
Ao contrário da ideia de “chá por conta própria”, a fitoterapia bem orientada ensina que dose, espécie, preparo e tempo de uso importam.

Chá também exige cuidado

Um dos maiores mitos sobre plantas medicinais é acreditar que, por serem naturais, não oferecem riscos. Isso não é verdade, plantas podem causar efeitos adversos, alergias, intoxicações e interações com medicamentos. Algumas podem alterar pressão, coagulação, sono, fígado, rins ou o efeito de remédios de uso contínuo.Gestantes, lactantes, crianças, pessoas idosas, pessoas com doenças crônicas ou que usam medicamentos regularmente precisam de atenção redobrada.

Na fitoterapia, segurança também é ciência. Antes de usar uma planta medicinal com finalidade terapêutica, é importante buscar orientação de profissional capacitado.

No Brasil, a fitoterapia faz parte das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde, conhecidas como PICS. Nós também possui uma Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, que busca promover o acesso seguro e o uso racional das plantas medicinais, valorizando a biodiversidade brasileira, os saberes tradicionais, a pesquisa científica e o desenvolvimento sustentável.

Isso mostra que a fitoterapia não é apenas uma prática popular. Ela também faz parte de políticas públicas de saúde, desde que aplicada com qualidade, segurança e responsabilidade.

Como a Surya pode ajudar?

A Surya nasceu para aproximar pessoas de práticas integrativas com mais clareza, segurança e acolhimento. Pelo app, você pode encontrar profissionais de fitoterapia, conhecer diferentes abordagens, agendar sessões e realizar o pagamento com segurança dentro da plataforma.

A ideia é facilitar o acesso a um cuidado mais consciente, conectando você a profissionais capacitados para orientar o uso das plantas de forma responsável.

Porque a fitoterapia não é sobre usar qualquer planta. É sobre escutar a natureza com respeito, compreender o corpo com cuidado e unir tradição, ciência e segurança em uma jornada de bem-estar.

Referências bibliográficas

Ministério da Saúde. Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos.

Ministério da Saúde. Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS — PNPIC.

Ministério da Saúde. Práticas Integrativas e Complementares: plantas medicinais e fitoterapia na Atenção Básica.

Organização Mundial da Saúde. WHO global report on traditional and complementary medicine. 2019.

Organização Mundial da Saúde. WHO monographs on selected medicinal plants.

Newman DJ, Cragg GM. Natural Products as Sources of New Drugs over the Nearly Four Decades from 01/1981 to 09/2019. Journal of Natural Products. 2020.

Atanasov AG, Zotchev SB, Dirsch VM, Supuran CT. Natural products in drug discovery: advances and opportunities. Nature Reviews Drug Discovery. 2021.

National Center for Complementary and Integrative Health — NCCIH. Herb-Drug Interactions.

Czigle S, et al. Pharmacokinetic and pharmacodynamic herb-drug interactions: a review. 2023.